Blue Jasmine é um filme de comédia dramática estadunidense de 2013, escrito e dirigido por Woody Allen e protagonizada por Cate Blanchett.

Jasmine (Cate Blanchett) é uma socialite nova-iorquina milionária que perde todo seu dinheiro e é obrigada a morar com sua irmã cafona (Sally Hawkins) e os sobrinhos barulhentos em uma casa bem modesta em São Francisco. Ela acaba encontrando um homem (Peter Sarsgaard) na Bay Area que pode resolver seus problemas financeiros, mas antes ela precisa descobrir quem ela é, e precisa aceitar que São Francisco será sua nova casa.

Data de lançamento: 15 de novembro de 2013 (1h 38min)
Direção: Woody Allen
Elenco: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins etc
Gênero: Comédia dramática
Nacionalidade: EUA

No primeiro contato que temos com o filme o diretor, Woody Allen, já dá o tom ao enredo, apresentando, de forma ágil, cômica e neurótica, a dramática personalidade da milionária Jasmine, a personagem de Blanchett, que ao descer do avião com uma completa desconhecida já se mostra uma pessoa extramente centrada nela mesma e nada além disso. Isso é o suficiente pra entender o que nos espera.

Por alguns breves momentos do filme eu senti que estava assistindo um episódio longo e muito bem produzido de “Real Housewives of New York”, porque, apesar da história se passar em São Francisco, são frequentes as visitas ao passado de Jasmine, enquanto ela ostentava uma vida de aparências, cheia de fofocas e intrigas, dividindo sua incrível existência entre o caos de NY, a calmaria de sua casa no campo e as histórias das suas viagens extravagantes ao exterior.

Mas não que isso seja um fato ruim: eu AMO “Real Housewives of New York”! rs

“Blue Jasmine” é um filme completamente estruturado nas relações humanas, envolvendo as loucuras, neuras, obsessões e medos do ser humano, temas bem recorrentes nas películas do diretor. Pela forma brilhante como Allen filma a Cate Blanchett somos capazes de entender a personagem por completo: entender seu complexo de vítima, ao mesmo tempo em que culpada; entender sua burra esperteza e entender sua lucidez neurótica. Uma personagem complexa e contraditória por natureza.

Personagem, aliás, que rendeu um Oscar de Melhor Atriz ao esforço de Blanchett. Foi lindo poder assistir a execução extraordinária do seu trabalho nesse filme, toda a futilidade da personagem, os momentos de pânico e neurose, a forma como ela se sente superior a todos, estava tudo ali sendo brilhantemente representado por ela. Um trabalho complexo, digno de premiação. Aliás, o elenco nos filmes do Allen é sempre um show à parte. Sally Hawkins, que eu aprendi a admirar em “Simplesmente Feliz, aparece aqui à altura da Blanchett (não à toa que também foi indicada ao Oscar, pela categoria de Melhor Atriz Coadjuvante).

“Blue Jasmine”, conta ainda com uma edição ágil e certeira, trazendo flashbacks ao longo de todo enredo sem deixá-lo cansativo. Além disso tem a belíssima direção de fotografia retratando cada ambiente de luxo com planos abertos, transparecendo bem o frescor do lugar, ao mesmo tempo em que retrata os lugares simples com tomadas fechadas, transparecendo a claustrofobia impregnada no local, como a casa de Ginger e o cubículo de trabalho de Jasmine.

O filme, sem dúvidas, merece uma posição de destaque na ampla filmografia de Woody Allen.