Filme de 2007, escrito e dirigido por James C. Strouse, e estrelado por John Cusack. A trama segue a história de um pai dedicado a cuidar das duas filhas enquanto a esposa foi à guerra. O filme teve seu lançamento oficial em Janeiro de 2007, no Festival de Sundance.

Em “Nossa Vida sem Grace” Stanley Philipps (John Cusack) é vendedor em uma loja nos Estados Unidos e é também um pai dedicado que passa maior parte do seu tempo em casa com as duas filhas, Heidi (Shélan O’Keefe) e Dawn (Gracie Bednarczyk), enquanto a mulher dele, Grace, está servindo na Guerra do Iraque.

Stanley perde o rumo na vida quando sua mulher é morta em serviço e sem forças para contar o ocorrido para as filhas, ele as leva em uma viagem até um parque de diversões. Sabendo que a diversão não pode durar pra sempre, ele luta para encontrar as palavras que vão mudar as vidas de suas filhas.

Título Original: Grace Is Gone
Pais de Origem: USA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2007
Diretor: James C. Strouse

O pai ficar em casa cuidado de tudo enquanto a mãe vai à guerra? Como pode? (Alguns devem se perguntar). Enquanto a mulher está defendendo o país, o homem está em casa cuidando das filhas? Mas por que? Porque sim! Esse é o James C. Strouse trazendo um discurso de empoderamento das mulheres, em pleno 2007, sem precisar explorar a imagem de uma personagem feminina durante o filme.

E é uma discussão interessante e super atual, apesar de pouco abordada pelo filme. Talvez por essa não ser a real intenção do filme, isso serve apenas como plano de fundo para o desenvolvimento da história. É justamente dessa situação incomum (até hoje) que vem a frustração do Stanley, personagem do John Cusack, devido à sensação de culpa por estar em casa enquanto a mulher leva o título de heroína.

Esse vazio deixado pela mãe se reflete no filme não só para o Stanley, mas para o espectador também. Se já é difícil e doloroso lidar com a morte de uma pessoa que a gente ama, imagina o quão difícil é tentar proteger alguém, supostamente mais fraco que nós, dessa dor. A idéia de que as filhas dele dependem de uma força que nem ele mesmo tem é devastadora para ele, que tenta buscar essa força em momentos simples de diversão.

E é isso que move o filme que, durante 85 minutos, desenvolve essa história sem pressa alguma. Aliás, o ritmo natural da história, foi pra mim um dos méritos do filme. Lento, porém sem chegar a ser cansativo (pelo menos para mim, mas estou ciente de que para alguns pode ser um teste de paciência).

Strouse, diretor e roteirista do filme, desenvolveu de maneira satisfatória esse seu primeiro trabalho (como diretor, segundo como roteirista). A angústia e o vazio a que o filme nos remete é em parte mérito do roteiro, da bela trilha sonora e da maravilhosa atuação de Cusack.

E por falar em atuação, Stanley é um dos melhores, senão o melhor, trabalho do John Cusack, ele está incrível, deixando transparecer o peso que o personagem carrega, incorporando o personagem até no jeito de andar sem, no entanto se tornar caricato. As meninas também são ótimas, Shélan O’Keefe tem um química muito boa com o Cusack e a Bednarczyk apresenta uma atuação cativante, dando o tom exato de realidade na sua relação com a irmã e com o pai também. O Alessandro Nivola também entrega uma ótima participação como tio das meninas e irmão do Stanley.

A música que dá título ao filme é do Clint Eastwood e cantada pelo Jamie Cullum. Que bela dupla, hein?

“Ainda não consigo encontrar todas as palavras, ainda não está na hora e minha cabeça não consegue pensar em nada, apenas vê você. Você sabe que estou tentando, Deus sabe que estou tentando. E por que é que o vento continua gritando? Ainda não acabou. Eu continuo tentando, acho que estou aprendendo. Viver nos corações que você deixou para trás, não é morrer, Grace. Não consigo achar o lugar certo, existe um lugar certo? Onde eu possa fazer tudo ter sentido de alguma forma e encarar o amanha. Eu continuo tentando, acho que estou aprendendo. Viver nos corações que você deixou para trás, não é morrer, Grace. O mundo dá voltas, nós mudados. Viver nos corações delas e no meu, não é morrer, Grace.”

(Grace Is Gone, Clint Eastwood)