Filme de 2004, escrito por Marcos Bernstein e Melanie Dimantas, dirigido por Marcos Bernstein e estrelado por Fernanda Montenegro e Raul Cortez. “O Outro Lado da Rua” é uma bela homenagem ao clássico “Janela Indiscreta” de Hitchcock.

No filme, Regina (Fernanda Montenegro) é uma aposentada que vive em Copacabana com sua cachorrinha vira-lata abusando da sua ironia e sinceridade no seu dia a dia e, assim, afastando um pouco as pessoas do seu convívio. Para esquecer sua solidão ela participa de um serviço voluntário da polícia, no qual aposentados denunciam pequenos delitos contribuindo com a segurança do bairro.

Durante as noites ela fica bisbilhotando com seu binóculo o que acontece nos prédios do outro lado da rua em busca de informações, ou por simplesmente não ter mais o que fazer. Em uma dessas noites, Regina presencia o que lhe parece ser um homem matando sua mulher com uma injeção letal. Ela chama a polícia, mas o óbito é dado como morte natural. Regina resolve então provar que estava certa e acaba se envolvendo com o suposto assassino (Raul Cortez).

O Outro Lado da Rua
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama / Romance
Ano de Lançamento: 2004
Diretor: Marcos Bernstein

Claramente inspirado em “Janela Indiscreta” de Alfred Hitchcock, “O Outro Lado da Rua” marca a estréia, como diretor, do Marcos Bernstein (um dos roteiristas de “Central do Brasil”), que entrega um trabalho consistente e bastante satisfatório.

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Bernstein transita com muita segurança entre os gêneros do filme arriscando até uma comédia sutil cravada na ironia da personagem principal e nas situações causadas a partir do envolvimento dela com o suposto assassino. Apesar da mesma premissa do filme de Hitchcock, o longa de Bernstein não se trata de um plágio e uma prova disso é que “O Outro Lado da Rua” lida principalmente com a solidão de Regina, diferente de “Janela Indiscreta”, no qual o personagem Jeff recebia visitas, ligações e até tinha a companhia da noiva e da enfermeira. O filme é, sim, uma bela homenagem.

O ritmo do filme é lento, mas essencial para entendermos como Regina se sente, nada ali é gratuito, nem mesmo as cenas onde a história aparentemente não evolui. Fernanda Montenegro mais uma vez entrega um trabalho excelente conseguindo passar em poucas palavras, a solidão e a angústia em que sua personagem vive. Um grande trabalho de expressão corporal é exigindo dos atores visto que o filme é muito olhar e poucas palavras.

Raul Cortez, em seu último filme, também nos presenteia com um trabalho maravilhoso, sempre seguro durante suas cenas, ele desenvolvem seu personagem de forma brilhante. E a química entre os dois também é excelente. Esse foi o primeiro filme em que eles contracenaram juntos.

Recomendo sem nenhuma restrição, é o tipo de cinema brasileiro que nós merecemos! Coeso, consistente e muito bem executado.