Em abril de 1945 os combates da 2º Guerra Mundial já cessavam na Europa, mas o Brasil ainda estava tecnicamente em guerra. O combate entre Segismundo, interrogador alfandegário e ex-torturador da polícia política de Getúlio Vargas, com o ex-ator polonês Clausewitz, confundido com um nazista fugitivo, se desenrola ainda na sala de imigração do porto do Rio de Janeiro.

Tudo porque o fim da Guerra, por ironia do destino, é o que tira a paz de Segismundo. Ele teme a vingança de seus ex-prisioneiros. E hoje chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro, Segismundo é quem decide quem entra ou não no país. Clausewitz terá que usar todo o seu talento de ator para provar que não é um seguidor de Hitler. O filme retrata um período crítico da história brasileira e fala do maniqueísmo e da luta pela vida.

Dirigido por Daniel Filho
Com: Tony Ramos, Daniel Filho, Dan Stulbach, Ailton Graça, Louise Cardoso, Maria Maya, Felipe Martins, Bernardo Jablonski, Anselmo Vasconcelos e outros
Gênero: Drama
País de Origem: Brasil

Adaptado de uma peça de teatro, Daniel Filho prezou durante toda a projeção, pela simplicidade nos cenários e até nos recursos utilizados. O filme é econômico (se passa quase todo na sala de uma alfândega) mas nem por isso essa característica o prejudica. Com o tipo de roteiro que ele tinha nas mãos, nada mais justo do que focar o filme nas atuações.

O projeto é ambicioso e a escolha (de montar o filme em praticamente um cenário) é arriscada, mas acho que são exatamente esses desafios que engrandecem o filme. Ver o filme sendo praticamente levado nas costas pela atuações, não menos que excelentes, de dois grandes atores brasileiros (Dan Stulbach e Tony Ramos) é de encher os olhos. E, pra mim, foi suficiente.