O filme, que ainda não estreou aqui no Brasil, desbancou o “Aquarius” de Sônia Braga e vai disputar uma vaga na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira

Como sabemos, a cada ano o Ministério da Cultura (MinC) escolhe um filme nacional para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Ano passado o escolhido foi o filme de Anna Muylaert, “Que horas ela volta?”, com a Reginá Casé no elenco, que acabou não entrando para a lista final da Academia. Já esse ano, o filme “Pequeno segredo”, de David Schurmann, é quem vai nos representar.

Segundo a comissão do MinC, que fez o anúncio ontem, segunda-feira (12.09), em um evento na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, o filme de David Schurmann é o que tem ‘mais potencial para seduzir’ os votantes da Academia do Oscar. Vale destacar que dentre os 16 filmes inscritos estava “Aquarius”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Sonia Braga, que entrou em cartaz no país na semana passada.

O processo de escolha foi marcado por controvérsias. O filme do diretor Kleber Mendonça Filho (Aquarius), que teve sua estreia mundial no dia 17 de maio no Festival de Cannes (onde disputou o prêmio “Palma de Ouro”), já foi exibido em mais de 10 festivais pelo mundo a fora (dentre eles os prestigiados Festivais de Cinema de Sydney, Munich e Toronto) e também está programado para ser exibido nos Festivais de Vancouver, Nova York e Londres, nos próximos meses, era, talvez, o filme mais provável de ser escolhido, até mesmo pela brilhante trajetória de divulgação internacional que a produção tem feito. 

Porém, como mencionamos aquiAquarius teve sua passagem por terras francesas marcada por uma controvérsia política, quando parte da equipe do filme protestou contra o impeachment da atual ex-presidente, Dilma Rousseff, levantando cartazes que denunciavam um golpe de estado. Fato que resultou em um polêmico descontentamento no meio político-cultura brasileiro.

Segundo o site G1, para Kleber Mendonça Filho “[a decisão] foi coerente e já esperada”. Porém o diretor ressaltou que “para além de decisões institucionais via governo brasileiro, Aquarius tem conquistado internacionalmente um tipo raro de prestígio, e isso inclui distribuição comercial em mais de 60 países enquanto já se aproxima dos 200 mil espectadores nos cinemas brasileiros, com um tipo de impacto popular também raro.”

A comissão do MinC rebateu dizendo que não foi uma decisão fácil e nem unânime, mas que a escolha de “Pequeno segredo” foi um consenso. Segundo representantes da mesma comissão, apesar do filme “Aquarius” já ter uma certa repercussão isso não significa nada para o Oscar, pois alguns filmes que já ganharam a estatueta não ganharam em Cannes ou vice-versa.

A seleção final dos concorrentes na categoria ainda será definida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em um anúncio oficial que está marcado para o dia 24 de janeiro. A cerimônia de premiação acontece em 26 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.


O Filme

pequeno-segredo-2016“Pequeno segredo”, que ainda não estreou, é um longa de ficção baseado em um episódio real ocorrido com a família Schurmann, conhecida por navegar o mundo. A trama é centrada na garotinha Kat, filha adotiva de Heloisa e Vilfredo Schurmann que morreu em 2006, e inspirou a história do livro best-seller “Pequeno segredo: A lição de vida de Kat para a família Schurmann” (2012), escrito por Heloísa.

O elenco de Pequeno Segredo conta com a presença de Júlia Lemmertz, Maria Flor, Fionnula Flanagan, Marcello Antony, Erroll Shand e Mariana Goulart. Na equipe técnica há nomes relacionados a importantes premiações de cinema internacionais, como a diretora de arte Brigitte Broch (vencedora do Oscar por Moulin Rouge), o roteirista Marcos Bernstein (premiado no Festival de Berlim por seu trabalho em “O Outro Lado da Rua”) e o compositor Antonio Pinto (indicado ao Globo de Ouro de melhor canção original por seu trabalho em “O Amor nos Tempos do Cólera”).


O Brasil no Oscar

Ao todo, apenas quatro filmes brasileiros foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte; O Quatrilho (1995), de Fábio Barreto; O Que É Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto; e Central do Brasil (1998), de Walter Salles.

Porém, outras produções brasileiras já conseguiram a façanha de figurar em categorias diferente na premiação. Em 1985, “O Beijo da Mulher Aranha”, de Hector Babenco, concorreu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção, levando a estatueta de Melhor Ator (William Hurt). Em 1998, o filme de Walter Salles foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas não parou por aí. A produção também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pela atuação de Fernanda Montenegro.

Em 2003 foi a vez de “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, que apesar de ter ficado de fora da lista de Melhor Filme Estrangeiro, conseguiu indicações nas categorias de Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição.

A indicação mais recente veio no Oscar desse ano (2016), com a animação “O Menino e o Mundo” de Alê Abreu, que acabou perdendo para “Divertidamente, uma parceria entra a Disney e a Pixar.