Filme norte americano, escrito e dirigido por John Carney e estrelado por Keira Knightley, Mark Ruffalo, James Corden e Adam Levine

Gretta (Keira Knightley) e Dave (Adam Levine) são namorados de longa data e parceiros na composição de músicas. Quando ele consegue um contrato com uma grande gravadora em Nova York acaba deixando tudo para trás, inclusive Gretta. Mas a vida da jovem tem uma nova virada quando ela conhece Dan (Mark Ruffalo), um produtor musical falido que a vê cantando em um bar e se encanta com seu talento.

Data de lançamento: 18 de setembro de 2014 (1h 44min)
Direção: John Carney
Elenco: Keira Knightley, Mark Ruffalo, James Corden e mais
Gêneros: Drama, Romance, Musical
Nacionalidade: EUA

Em 2007, John Carney viu seu filme “Apenas Uma Vez” fazer um caminho de considerável sucesso nos festivais e nas premiações daquele ano, ganhando mais de 20 prêmios, inclusive o Oscar de Melhor Canção Original para a música “Falling Slowly”, de Glen Hansard e Markéta Irglová. Pensando em, talvez, repetir essa dose de sucesso, o diretor convocou meia dúzia de estrelas respeitadas na cena cinematográfica hollywoodiana, mas como o raio não costuma cair duas vezes no mesmo lugar, “Mesmo se Nada Der Certo”, acabou não dando muito certo.

Bom, não em partes. O filme também conseguiu ganhar 2 prêmios (o de melhor música no Hollywood Music In Media Awards e o de Melhor Atriz no Jupiter Award) e foi nomeado a tanta outras, inclusive foi nomeado ao Oscar de Melhor Canção Original por “Lost Stars”, mas acabou perdendo para “Glory” do filme “Selma: Uma Luta Pela Igualdade“.

Ambientado em Nova York, o filme encabeçado por Mark Rufallo e Keira Knightley, traz a música não como foco central, mas como um elemento coadjuvante, embora bem importante, que impulsiona a narrativa na direção correta e impressiona pela leveza e inteligência a cada utilização de um número musical. A excelente ideia de gravar em “estúdio aberto” pela cidade de Nova York torna-se, no decorrer da narrativa, um grande acerto do filme, que poderia facilmente ter explorado ainda mais todo esse potencial musical do roteiro, deixando o filme um pouco menos piegas.

Sim, piegas! Isso porque o filme tem como tema central um grande clichê: o bom velho pé na bunda, que culmina numa dor de cotovelo superada e em uma virada de página triunfal. O filme falha em dar tanta ênfase a isso, teria sido muito mais interessante ter usado esse tema apenas como “desculpa” para começar o roteiro e no final das contas ter desenvolvido melhor a relação de Gretta com a música e ter desenvolvido melhor sua conexão com os músicos da sua banda improvisada, mostrando sua a trajetória no mundo da música e do showbiz. Mas não, tudo era desculpa para voltar à sua desilusão amorosa.

A presença do núcleo Mark RufalloHailee SteinfeldCatherine Keener foi mais um acerto moderado do filme. Moderado porque, novamente, poderia ter sido melhor explorado, em detrimento de foco clichê em mais uma história de amor fracassada. Keira Knightley surpreende mostrando uma nova faceta, até então desconhecida pelo grande público: seu canto. A atriz convence como uma cantora inexpressiva, mas de grande potencial, porém falha em alcançar o tão esperado potencial expressivo. A atuação é linear, sem grande destaque. Um elenco de peso, que acaba entregando performances apenas corretas.

No final das contas, “Mesmo Se Nada Der Certo” não é um completo desastre. Tem seus bons momentos, para mim, todos eles alicerçados pelos ótimos números musicais. Pelos momentos em que mostrava a banda gravando por Nova Iorque, encarando desafios naturais e contornando problemas com as pessoas que encontravam pelo caminho. A ligação do diretor com a música é sempre desenvolvida de forma cuidadosa e delicada. A trilha sonora, como não poderia deixar de ser, é tão boa que a certa altura do filme você se pega desejando aquele álbum que você assiste ser gravado em tela. Uma experiência musical interessante, no mínimo.