Em 2016 a DC apostou na produção de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” e de “Esquadrão Suicida“, que acabaram com saldo de lucro moderadamente positivo, mas não alcançaram grande sucesso com o público e nem com a crítica especializada. Além de terem sido duramente criticados, essas produções não receberam o mesmo suporte dos fãs, assim como os filmes da Marvel receberam.

Em termos comparativos, a Marvel lançou em 2016 o filme “Capitão América: Guerra Civil” que gerou uma receita de mais de US$ 1.1 bilhão de dólares (com orçamento estimado em US$ 250 milhões de dólares). Enquanto isso, o maior sucesso da DC em 2016, “Batman vs Superman: A Origem da Justiça“, gerou uma receita de US$ 870 milhões (com orçamento, também, estimado em US$ 250 milhões de dólares), quase os mesmos US$ 250 milhões de dólares de diferença.

A pergunta que fica é: Será que em 2017 DC Films vai conseguir virar esse jogo e salvar o seu universo cinematogáfico? É isso que Warner Bros ainda está tentando!

A grande aposta do ano será “Mulher-Maravilha“, que vem para desconstruir os padrões dominantes masculinos e dar mais voz às mulheres nas grandes produções cinematográficas.

Caso raro na indústria, o filme será dirigido por Patty Jenkins, primeira mulher a dirigir um blockbuster de super-heróis e ainda mais, a primeira mulher a dirigir um filme de super-herói com uma protagonista feminina. Não bastasse isso, essa será ainda uma das poucas produções encabeçadas por uma diretora feminina a atingir a marca de US$ 100 milhões (R$ 358 milhões) de orçamento. (Antes disso, apenas a Kathryn Bigelow – vencedora do Oscar de Melhor Diretora em 2010 – conseguiu um orçamento de US$ 100 milhões para um filme de live action, em 2002, com “K-19“).

No entanto, a novata Patty Jenkins revelou recententemente que sua grande inspiração na direção não veio de nenhuma outra diretora, mas sim do Richard Donner, diretor de “Superman: O Filme“, de 1978. Ela explicou que durante todos esses anos os heróis masculinos foram tratados de uma forma bem característica e por isso ela resolveu aplicar o mesmo tratamento à Mulher-Maravilha, que terá todos aqueles incríveis momentos radicais que de repente aparecem para o público.

Segundo a diretora, o maior desafio foi encontrar um equilíbrio para a personalidade da heroína em tela. Ela queria retratá-la como confiante e forte ao mesmo tempo em que deveria ser feminina e amorosa. Ela não queria uma heroína mandona e nem uma mera bola de destruição, para Patty Jenkins, “você pode ser poderosa e também amar.”

É uma pressão enorme. Tanto que, assim que a Michelle MacLaren (primeira diretora cotada para dirigir o filme) deixou a produção do longa no começo de 2014, alegando “diferenças criativas” com o estúdio, logo começaram a cogitar o nome de Lexi Alexander, que em seguida já avisou que não se interessava pelo projeto por medo de carregar “o maldito peso da igualdade de gênero, tanto para as personagens quanto para as diretoras mulheres”.

Segundo Lexi, “os homens falham o tempo todo por trás da direção de filmes de super-heróis, e isso nunca foi um problema, mas se uma mulher falhar, então de repente todas as mulheres serão péssimas na direção” e, aparentemente, ela não queria ser a responsável por isso acontecer, visto que nem tudo depende dela, uma vez que os diretores não têm nenhum controle sobre o marketing e nem sobre o orçamento, mas há sempre muita pressão.

Mulher-Maravilha” entra em cartaz no Brasil no dia 1º de junho de 2017.